Lugar mítico da infância, mas também da loucura. Arquivo misterioso da nossa história, e da sua efabulaç o. Abrigo ingénuo, ou esconderijo de fantasmas e fantasias. Quantas vidas cabem num sót o?
Entre o pó e os ruídos da madeira, Madalena Sá Fernandes revisita episódios íntimos, memórias de violência e relaç es que deixaram marcas, balança entre a aprendizagem da autonomia e a ternura da maternidade, mostra como o corpo aprende a adaptar-se à solid o.
Espaço inclinado entre o ch o e o céu, é no sót o que se acumulam objetos sem uso, histórias que ninguém conhece, fotografias por arrumar, medos que persistem. Mergulhando neste lugar de clausura e de criaç o, de vigilância e de liberdade, a autora interroga a própria ideia de casa: abrigo, pris o, promessa, ficç o.
Madalena Sá Fernandes testa a resistência de soalhos e vigas como se fossem a engrenagem da memória, espreita da janela alta as copas das árvores para derrotar o medo, entrega-se ao silêncio para que se escute a sua escrita. Um sót o, afinal, nunca está vazio.
Arquitetado sobre a ideia de um movimento perpétuo entre passado e futuro - entre as casas que herdamos, as que tentamos construir e a possibilidade, sempre incerta, de encontrarmos um lugar onde por fim possamos ficar -, Sót o inscreve-se na tradiç o das narrativas que s o uma chave para o presente que partilhamos.