Todos os contos reunidos neste livro têm vários elementos em comum: a acç o decorre num espaço longínquo, a narrativa desenvolve-se em torno de uma revelaç o demolidora, a memória funciona como uma catarse que o tempo se encarrega de prolongar de modo a n o poder ser esquecida.
Como no primeiro conto, O Amor em Lobito Bay, que dá título ao volume, em todos existe uma história de amor, no sentido mais amplo do termo, que entrecruza a experiência da confiança na vida com o desconcerto do mundo. E à imagem da criança que deseja comer o coraç o de uma andorinha, em todos os outros contos ocorre a experiência de uma decepç o inaugural transformada em sabedoria.
S o contos de persistência, memória de momentos, breves momentos de relâmpago, durante os quais a luz ilumina demais, e algo se esclarece para sempre, ainda que a sombra nunca se esgote. É sob essa luz transfiguradora que as crianças exp em os limites da sua inocência, jovens lutam contra a desordem do mundo para além do improvável, mulheres e homens perto da velhice recriam sonhos audazes, poetas descobrem, a meio da noite, os limites frágeis da humanidade. S o contos sobre a marcha humana que n o pára de reiniciar continuamente os seus primeiros passos.