O nosso narrador dorme quando a campainha toca e lhe interrompe o sono. Espreita pelo olho mágico e n o reconhece o homem de fato e gravata que procura por si. A campainha insiste, o olho mágico distorce o rosto do outro lado da porta. E isto é o que basta para o narrador fugir de casa e cair numa espiral obsessiva, uma viagem de regresso a lugares esquecidos, de reencontros e recordaç es estranhamente familiares, uma odisseia que acaba por ser um exílio dentro de si mesmo.Estorvo, o primeiro romance de Chico Buarque, é um texto notável, que se mantém constantemente no limite entre o sonho e a vigília, entre a realidade e a alucinaç o. E o olho mágico que separa os dois homens talvez seja a melhor metáfora da vis o deformada com que o narrador, e o leitor com ele, olha o mundo que lhe é t o familiar e ao mesmo tempo t o distante. E talvez uma metáfora do mundo em que vivemos, em que é t o fácil sentirmo-nos sós