Pela primeira vez, as cartas de amor de Fernando Pessoa e de Ofélia Queiroz s o apresentadas em ediç o conjunta.
Uma ediç o conjunta é a forma mais adequada para dar a ler uma correspondência, que pressup e sempre um diálogo, uma interaç o, a existência concreta de dois interlocutores. Cada carta é, em si mesma, ou a resposta a outra carta ou pretexto para ela. Até quando o destinatário opta por n o responder, de algum modo, o seu silêncio se inscreve na carta seguinte. Assim, uma relaç o amorosa, sustentada epistolarmente, como a de Pessoa e Ofélia, só é, na verdade, entendível quando os dois discursos se cruzam e mutuamente se refletem.
Neste livro a ideia comum de que estaríamos perante um namoro platónico, sem réstia de erotismo, desfaz-se por inteiro. Vemos, enfim, surgir um Pessoa diferente do outro lado do espelho. Um Pessoa n o só sujeito e manipulador da escrita, mas um Pessoa indefeso, objeto do discurso (e do afecto) de outrem, personagem de uma história real.