O homem n o sabe como gastar os dias. Alguém o avisa de que o tempo é um material perigoso nas m os de quem n o o sabe usar. A mulher prop e-se comprar o amor do marido que abandonou. Afirma que tudo tem um preço, apesar de nunca ter pensado que o preço pode ser o da traiç o. A m e garante que n o tem culpa de ter gerado um assassino, ninguém tem m o no futuro. Tem o coraç o t o adormecido que nem a dor e a vergonha s o capazes de o acordar. A dona da pens o quer salvar o negócio a todo o custo, pelo que n o se importa de perder a alma. Só a televis o lhe valerá e por ela dará graças. Uma grávida com cabelos louros de menina e sandálias de cabedal n o quis o filho que, alheio à sua vontade, se completa, segundo a segundo, na sua barriga. Dela se diz que n o tem capacidade para distinguir o bem do mal. As crianças procuram tesouros nas paredes dum prédio que se esboroa. Os velhos roubam flores para as venderem no passeio ao fim da tarde. A cidade, uma teia de olhos e passos, apanha quem nela cai. E o mar sempre t o perto. A beleza pode ser um pretexto para se enlouquecer. A beleza e a solid o. Mas é o desespero que faz acreditar que se pode roubar o coraç o de quem se ama.