Vida e morte foram minhas, e eu fui monstruosa. ? Durante as horas de perdiç o tive a coragem de n o compor nem organizar. E sobretudo a de n o prever. Até ent o eu n o tivera a coragem de me deixar guiar pelo que n o conheço e em direç o ao que n o conheço ? . Minhas previs es me fechavam o mundo.
Conhecemo-la pelas enigmáticas iniciais - o nome, nunca chegaremos a descobrir. G.H., independente e segura das suas escolhas, é uma escultora bem relacionada nos círculos do Rio de Janeiro. Numa manh igual a outras, o seu mundo vai expandir-se depois de se pulverizar. Primeiro, a sua empregada despede-se; em seguida, G.H. decide limpar o quarto que ela habitava: um espaço vazio e imaculado. É aí que acontece um encontro epifânico com uma barata que rasteja de dentro de um armário. Perante a vis o do inseto, G.H. submerge num questionamento existencial agudo, rasga fronteiras, p e em causa o seu lugar no universo e, num sentido mais extremo, a sua própria humanidade.
Tendo como núcleo uma experiência-limite e como clímax um episódio chocante, A paix o segundo G.H. é o teatro anatómico da condiç o humana: disseca puls es primordiais (desejo, medo, transgress o), ao mesmo tempo que convida o leitor à travessia de um mundo oculto. Depois da descida ao inferno, e por entre as ruínas daquilo em que antes acreditava, irrompe, afinal, o gesto humano mais elementar: o combate pela vida.
Um dos mais célebres romances de Clarice Lispector, A paix o segundo G.H. é um prodígio da imaginaç o e do engenho literário. Uma história t o inquietante quanto luminosa.